quinta-feira, 5 de maio de 2016

Relato de Parto do Bernardo - Parte I





Quando eu estava grávida do Bernardo tinha o costume de ler relatos de parto. Acreditava que conhecer a história de outros nascimentos me ajudaria a estar mais pronta para quando o dele chegasse. Lembro especialmente de ter lido um blog em que a mãe só havia escrito o relato um bom tempo depois do nascimento do filho e, confesso, achei um pouco estranho ela ter demorado tanto assim. Como o mundo dá voltas! Pois bem, aqui estou eu - que já procrastinei demais esse assunto - 403 dias depois do dia 29/3/2015 para contar a vocês como o meu parto domiciliar se transformou em uma muito bem indicada cesariana.

Como muitos já sabem, o Brasil é o campeão mundial de cesáreas. Existem muitos fatores que contribuem para esse lamentável resultado, mas esse não é o momento de falar sobre eles. Basta dizer que a grande maioria das cesarianas é desnecessária e que é muito raro encontrar um médico que faça - não apenas diga que faça - partos normais pelo plano de saúde sem cobrar nenhum valor a mais por isso.

Diante desse cenário um tanto quanto aterrador restam poucas opções:1.  Aceitar uma cesariana desnecessária e, com ela, todos os riscos desse procedimento cirúrgico; 2. Pagar uma média de 12 mil reais (!) para um médico particular, 3. Optar por um parto domiciliar assistido por enfermeiras obstetras e 4. Recorrer ao SUS. Eu decidi ter um parto domiciliar.

Esse tipo de atendimento não é tão comum no Brasil, mas em outros países sim. Para gestantes de risco habitual ( ou de baixo risco, como se dizia antigamente), essa “modalidade” de parto tem tantos riscos quanto um parto hospitalar, com a vantagem de que você pode esperar o tempo do seu bebê no conforto e tranquilidade da sua casa, que é onde muitas pessoas se sentem mais seguras. Dito isso, vamos ao relato em si.

Comecei meu pré-natal com um médico do plano, indicado por uma amiga. Ela dizia que ele fazia partos normais, então resolvi conferir. A consulta foi muito rápida e sai de lá não muito confiante. Pesquisei sobre ele na internet e encontrei um fórum em que muitas pessoas o elogiavam pelas maravilhosas cesarianas que ele tinha feito. Só encontrei um relato de parto normal (bastante elogioso até, em que a pessoa dizia que ele tinha aberto mão de uma viagem para realizar seu parto).
Juntei esses dados ao fato de que, no fim das contas, a maioria esmagadora dos médicos que se dizem abertos à possibilidade de parto normal acaba desistindo no frigir dos ovos. Não quis pagar pra ver. Comecei a me consultar com uma médica particular famosa por fazer partos naturais e o plano me reembolsava o valor das consultas. Foi maravilhoso! As consultas demoravam o tempo necessário para resolver todas as minhas dúvidas e ela me deixava muito confiante.

Infelizmente eu já sabia que ela não faria meu parto, afinal eu não podia pagar os 9 mil que ela cobrava na época. Eu também não teria mais aquele plano de saúde super legal para me reembolsar porque meu estágio terminaria antes da data provável do parto. Resolvi que teria o Bernardo no Hospital Maternidade Maria Amélia Buarque de Hollanda, do SUS, no centro do Rio.

Esse hospital é bem famoso por apoiar o parto natural e só realizar intervenções médicas com indicações de real necessidade. Fui até lá visitar, assisti a palestra que eles oferecem e me encantei. Entrei em contato com uma mãe que deu à luz lá e também foram só elogios. No entanto, eu havia contratado uma doula e ela sabia o quanto a ideia do parto domiciliar me encantava. Fui bastante encorajada por ela e, conversando com o meu marido, mudamos os planos. Tentaríamos um parto domicilar e, caso não fosse possível, eu iria para o Maria Amélia.

Iniciei o pré-natal com minha equipe de parto quando completei 33 semanas, se não me equivoco. As consultas eram quinzenais e na minha casa. No final da gestação passaram a ser semanais, e agradeço a Deus por não ter precisado sair da minha casa com um barrigão tão grande para ir ao pré-natal.

Completei 40 semanas e nada do rapaz se manifestar. Bernardo já estava de cabeça pra baixo, mas minhas enfermeiras sempre diziam que ele ainda não havia descido totalmente, o que me deixava mais apreensiva e ansiosa para que a data chegasse logo. Recomendaram que eu pintasse a barriga, escrevesse uma carta de despedida.. Formas de ajudar o meu psicológico a enviar uma simpática “carta de despejo” ao meu preguiçoso inquilino. Não fiz nada disso.

Faltando pouco mais de uma semana para o Bernardo nascer, foi detectada uma pressão arterial de 11,9 na consulta. “Nada demais”, em tese. As enfermeiras pediram que eu aferisse a pressão durante todos os dias durante uma semana e fizesse alguns exames de sangue para excluir a possibilidade de pré-ecâmpsia. É que esse quadro é caracterizado por uma pressão de 14,9 ou dois “14” (máxima) ou dois “9” (mínima). Não sei se me explico direito.

Meus exames estavam ótimos, mas durante a semana seguinte minha mãe (que é técnica de enfermagem e aferiu minha pressão todos os dias como recomendado) detectou um 12,9. Verificamos de novo e apareceu um 13,9 (?). Comuniquei às enfermeiras e, inicialmente, isso não pareceu um problema, já que meus exames de sangue estavam ok.

Passados alguns dias, uma das enfermeiras me liga e diz que elas haviam levado meu caso para um grupo de discussão (do qual fazia parte aquela médica particular que me acompanhou). Minha equipe queriam marcar uma conversa comigo e meu marido naquela noite (27/03), porque acreditavam que não era mais 100% seguro investir no parto domiciliar.

Por mais que não fossem tão preocupantes aqueles indícios da minha pressão, qualquer risco fora do habitual já me excluía do grupo de gestantes elegíveis a um parto domiciliar assistido. Fiquei um pouco chateada, mas satisfeita com a responsabilidade e o cuidado delas.

Quando faltavam cerca de 15 minutos para que as enfermeiras chegassem à minha casa para a reunião, eu estava saindo do banho. Ao me enxugar, senti um líquido quente escorrer e gritei minha mãe para que ela me ajudasse a ver se era realmente o que eu estava pensando. E Era. A bolsa estourou!


(Continua…)

3 comentários:

  1. Já não é o primeiro relato que leio que o desejo da mãe começa de um jeito, é obrigada a mudar por questões inesperadas até enfim acontecer como se quer ou não. Gestação, parto é algo muito imprevisível! Principalmente a questão de procura por médicos que façam parto normal. Até encontrar um bom médico pode levar quase a gestão inteira!

    Quando sai a parte II? Tô curiosa!

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  2. Barbara, estou passando pelo mesmo dilema. Minha pressão arterial, todos os meses, era 10,6. Foi observado, por volta das 26 semanas, o risco de pré-eclampsia, devido a algum estresse provocado no início da gestação. A alteração de pressão se dá na artéria uterina. Venho, desde então, fazendo ultras mensais para acompanhar meu caso.
    Estou ansiosa para um parto normal, porém, agora, às 35 semanas, a surpresa: minha pressão estava 12,6. Não está alterada, para uma pessoa comum. Comparada à minha, está alta.
    Meu médico pediu que eu tivesse atenção aos movimentos da Gabriela.
    Pra quem quer parto normal, estou bastante assustada, mas confiando em Deus e procurando me acalmar..

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  3. Prezadas,

    Acredito que um muito delicado. Porém, é preciso ter fé em Deus e acreditar que tudo vai dar certo.

    Força, hoje e sempre

    Abs,

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